sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Pessoas

Hoje acordei ao seu lado,
me entreguei ao seu agrado,
me encontrei em seu sonho...

Hoje me refiz de um desejo,
me calei em poucos beijos,
me achei no que emociono...

Porque amanhã não sou nada
além de alguém que se compõe
e que espera encontrar outro alguém
que se dispõe pra outro alguém

Porque amanhã vou voltar a ver
que viver mais que um segundo
vem da parte que me afaga
e tem todos os sonhos do mundo

Hoje me encontrei ao seu lado,
acordei em seu agrado,
me entreguei ao seu sonho...

 Hoje me calei em um desejo,
me achei em poucos beijos,
me refiz no que emociono...

Porque amanhã vou voltar...
Porque amanhã há um lugar
que faz ter em mim todos os sonhos do mundo

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Perto

Toda noite e todo dia
Estou por perto, como queria
E eu te vejo, eu te beijo

Ainda que por aqui não mais esteja
Por perto, ao certo, aperta uma certeza
De que seja quem for, meu amor estará ao redor

E toda noite, todo dia,
Estarei por perto, como queria
Mesmo sem beijo
Ainda te vejo... 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Há de a ver

Eu só queria um dia perder
essa sensação torta...

Há uma história mal contada, 
da qual não participo 
e fico sempre no limbo, 
perambulante sem lugar...

Há sempre algo que deveria fazer 
para não parecer tão insuficiente

Há algo de inútil na existência, 
que não me convence 
nem por conveniência

Há algo que escapa aos sentidos 
e que me desintegra completamente

Há um incômodo constante 
uma dor latente, incinerante 
recorrente, castigante 
evidente, causticante 
reticente, retirante 
conivente com o que havia antes 
de ser resistente...

Talvez por isso, itinerante... 
na esperança de brotar sementes 
que nos tornem emocionantes...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Hoje e Amanhã

Hoje vou cuspir minhas mágoas, 
me precisar em outras águas,
me aquecer em outro fogo...

Hoje vou soltar meus demônios,
me misturar aos meus sonhos,
me acertar em outro jogo...

Porque amanhã sou igual
ao que nunca já fui
e disperso meu trauma
pra quem não se dilui

Porque amanhã não sou nada
além de um salto profundo.
E a parte que me afaga
tem todos os sonhos do mundo

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sei

Sei que pode não ser do seu agrado
Que eu esteja obstinado nessa falta de visão

Sei que pode ser exagerado
Que eu prossiga com esse fardo e essa alma de leão

Sei que minha cicuta não se escuta
haja perna, haja puta que age e luta pelo pão

Sei que essa culpa não se muda
Mas a multa é muito dura com quem foge pelo chão

Sei que onde quer que eu esteja
Sinto o peso sobre a mesa que carrego em minhas mãos

Sei que o que quer que um dia eu seja
Minha alma só deseja um voo alto e um coração

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Uva

Hoje eu doí
E ainda dói
A falta de pai
A falta de véi
A falta de oi

Mas amanhã passa
As manhãs passam
Os dias passam
E como tudo que passa
Quem sabe enrugue 
E fique doce...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Biógrafo

Nunca fui estragado
Nunca fui procurado
Nunca sou lembrado
Sou o que não mereço

Nunca fui biografado
Nunca fui abreugrafado
Nunca fui amordaçado
Sou apenas o que falei

Nunca fui escrito
Nunca fui proscrito
Nunca fui bendito
Sou apenas o que não sei

Mas sou eu que sofro
Sou eu que vivo
Sou eu que tento
Nunca fui o que pensei...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Sinuoso

Queria encontrar apenas uma coisa na vida
Mas nunca me achei
É fácil se sentir completo
Quando se é um completo fracasso
Há um vazio sedutor
Um nada que se realiza
Na plenitude dos desejos cumpridos
E então, novamente o caminho
Da finita transformação contínua
E da força que se esvai
Meia vida é meio morta
E a outra metade é meio torta...

domingo, 29 de setembro de 2013

Rocambole

Você me diz que eu sou
O que nem sabe o que é
Você me diz que não é
O que eu achei que pensou

Você me diz ser idêntico 
A todos que não são você 
Você se diz messiânico
Pregador de sei lá o que

És o legítimo autêntico
Um enrolado de nada
Qualquer dia se vende
Lá em Lagoa Dourada

O único oficial
Cheio de fala vazia 
Um dia vai se dar mal
Mas vai dizer que sabia...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Vida no mar

Todo mundo deve aproveitar a vida
Pelo menos uma vez na vida
Todo mundo deve
E paga uma vez na vida
Nem que pague com a vida
A vida que se paga no apagar

Não há o que se apague na vida

Não há o que se pegue

E a quem se apega
há quem se apega

Fazendo água

Fazendo mar 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Peleja

Sou poeta que não lê
Músico que não escuta
artista que não se articula
Meu corpo não me incorpora
Minha alma nada mais almeja
Mas minha pele, Ah essa...
Continua na peleja...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Mudança


Eu nasci aqui
Eu cresci aqui
Eu me criei aqui
E por que não?
Posso me mudar
Porque não
Mudo

Eu vivi aqui
Eu amei aqui
Eu odeio aqui
Só porque não
Quero outro lugar
Por que não?
Mudo

Deixei de ser alguém
Que quis fazer algo
Para ser mais algum 
Objeto a ser salvo
Na terra de ninguém 
Virei meu próprio alvo
Deixei de ter em mim
O gosto que dessalgo
E que me diz assim:
O céu não é tão alto...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Obvirtudes Virtuais

A casa casou
A chuva choveu
O molho molhou
Mas a TV não te viu


A porta portou
O chato chateou
O carro carregou
E o rádio radicalizou

O nada nadou
A bala baleou
O medo mediu
E a internet internou


Poucos loucos são soltos  
Alguns ficam roucos
Outros são, tampouco...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Semiótica e Semiacústica

Tenho veneno no coração
Destilo nos momentos que me matam
Disparo horror pela ponta da caneta
E a rima que se exploda junto com sua fuça
Tenho na letra o gatilho
Nas palavras a bala
Nas frases o alvo
Sou matador semiótico
Justiceiro semântico
Morra-se com essas palavras
E regozije-se ao som
Apocalíptico
Sígnico
sonoro

Carne Fraca

Quando a máquina para
É que percebe-se a rara
ocasião que tivemos

Quando a morte encara
Foi-se a vida que para
E continua o que temos

Quando a saudade mata
Verte-se o choro na lata
Perde-se o tom em extremos

Quando a vida é grata
Mostra que a carne é fraca
que somos o que fizemos

domingo, 9 de setembro de 2012

Luto

Foram-se os pés, ficam os passos
Foi-se a caneta, ficam as palavras
Foi-se a hora, fica o tempo

Luto, hoje pela sua saudade
Luto, para seguir seus passos
Luto, para ter palavras tão belas quanto as tuas
Luto, por tudo que vivemos juntos
Luto, por lutar na luthieria da vida
E deixar ao final um luto

Foram-se os sons, fica a música
Foi-se o pai, ficam os órfãos de tudo
Foi-se a vida, fica o amor


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tal Amor Mor

Pela Morte eu fui a Marte
Ver a morte vermelha
Por amar-te vi a morte
longa aos filhos da centelha
Com postagens mórbidas
De amor

Afinal,
Amor te faz viver
Amor te faz crescer
Amor te faz morrer
Amor te faz matar
O que a morte faz amar-te
Mortal é o amor tal como a morte
Ao final

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Aperto

Tem dias que a gente sente um aperto na alma
quando turva-se os sentidos e nada conforta
E tudo que a gente quer é só um aperto na alma
Que abrace confortavelmente a ausência sentida
Que ajude a passar o aperto
E nos faça sentir mais perto da alma
A minha alma com’cê
Vira calma
Sua cama com’ele
Vira calma
E nossa calmaria
Nunca acalma
Sem que se sinta um tal aperto na alma

terça-feira, 24 de abril de 2012

Flores no mar

Flores coloridas gritam soltas pelo ar
Flores que iluminam o mar
Flores persistentes continuam a voar
Flores que decoram o lar

São gerânios e homônimos
Anônimos, antônimos
binômios espetaculares

crisântemos anímicos
atônitos e endêmicos
sinônimos de almas nucleares

Cores doloridas criam flores sem contar
Cores de um corpo par
Cores comovidas como flores de um lugar
Onde o coração é mar

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ressaca


Quando a noite acaba
É onde começa a peleja
Um novo dia nasce
E em sua face a beleza
Movo meu caminho
Pra me livrar da tristeza
E do redemoinho
Que pela alma fraqueja


Quando a luz se apaga
Me apego ao som da incerteza
Que me reduz a nada
Enquanto nado em cerveja
É a mesma nova esbórnia
Que sempre dão de bandeja
E que transforma a escória
aonde quer que esteja

Na rotatória da inveja
compra-se o que desdenha

Artrose ou Art-rosê?

Há braços
e abraços
beijos e beiços
pele
pelos ouvidos
ou vidas
que só fazem
sentidos
juntas

domingo, 15 de abril de 2012

Kem soul

Quem sou eu
E quem é você
Pra me dizer
Quem sou?

Ainda procuro a brecha
Na ponta dessa flecha
Que abre e fecha meu peito

Ainda procuro a adaga
Que ameaça e indaga
A parte vaga do meu leito

E eis que nisso há o encontro
De algo que veio pronto
E que desmonta pelo jeito

pois queria só um toque
E um carinho a reboque
Tão Loki feito seu beijo

Sou Loki feito seu
Tão Loki jeito seu
E quem sou eu
E quem é você
Pra me dizer
Quem sou?

sábado, 17 de março de 2012

Insônia

Chamei pelo nome meu sono
Que urgia por cuidado
como cão sem dono
coitado

Puxei o pé pelo gargalo
E sabe-se lá como
Deitei sonhos
Acordado

E quando a cabeça se perde pelo pomo
E a voz solta um som alado
da dor que domo
calado

torno zelo o que achei insone
o nome é recuperado
a ideia mono
apago

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Beata Hágata


Da janela de meu quarto
Vejo parte de um muro verde
Entre nós, outro muro se ergue
Grande muralha de concreto e carne

Daquele furo no espaço
Sinto no rosto uma carícia aérea
Vejo o anúncio de uma vida térrea
E me pergunto então: o que faço?

Às vezes, não há resposta
E o único sentido da janela
É simplesmente olhar por ela

Pior quando não há pergunta
E a muitos outros a gente junta
o amor por algo que não se gosta

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Amor-Pedido

Onde está aquele amor que pedi?
Procuro entre versos mas não o vejo ali
Onde está aquele amor tão sutil?
Procuro entre os olhos mas parece que sumiu
Procuro onde está aquele amor tão levado
Mas o que encontro é só coração fechado
Que apenas se preocupa com coisas tão banais
E não cabe pois o amor é sempre algo a mais
não se fecha
não se cansa
não se esgota
se renova
se transmuta
se permuta
se entrega
sem demora
talvez sejam os meus olhos que não veem o que procuro...
talvez meu coração ainda seja imaturo...
talvez o amor pra mim ainda seja algo escasso
apesar de tanto amor em quase tudo o que faço
Talvez hoje o amor seja um sentimento a toa
Doa a quem doer, só não dói pra quem se doa
Talvez o que procuro seja algo que já tenho
Um traço desapercebido em entrelinhas de um desenho
Talvez o amor não seja o que o poeta diz que arde
Mas sim o grande jogo, a mais nobre arte
Amor é outro mundo
Amor é querer amar-te...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Em cantos da arte

Porque o mundo me encanta mais
Que o quintal de minha casa
Devo recolher então minha asa,
E esquecer o que um pássaro faz?

Porque minha arte não mais te afaga
Devo ser um tentador contumaz
Porque esse é o lugar que te apraz
Mesmo sabendo que significo nada?

Porque ainda sou sensível ao belo
Devo manter seu furor amarelo
Por uma pretensão sócio-requentada,

Ou devo permanecer em minha obra,
procurando partes de minhas sobras
Que alimentam as cobras alienadas?

Pra minha vida ter sentido
Devo então tomar partido
Ou comprar outra bisnaga?

vida de artista só ganha colorido
quando o crime do bandido
o faz transpor o belo por nada

domingo, 9 de outubro de 2011

Pra inglês ver

Organizo-me diferente
Pensando que posso ser qualquer coisa
Posso-me plenamente
Onde meu osso se reparte em brisa
Parto-me em nascente
Nasce de novo, a alma avisa
Renovo-me aparente
Na linha rente que se improvisa
Sopro-me por minha vida...

domingo, 2 de outubro de 2011

Soneto de viagem

A minha janela voa
Enquanto me deixo por terra
Meu coração erra
Passando pela vida à toa

Distraio pelo céu
E penso se devo ir em frente
afrontar de repente
A balança e seu fiel

Há mais do que vi
É certo e me pergunto
Onde me perdi?

No decorrer de um segundo
Momento fecundo
Para me achar em ti

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Pré-datado

Hoje eu estou datado 
Passei pro outro lado
Entrei em novo estado
De existência

Hoje vivo pré-datado
o corpo esfacelado
ando desacompanhado
de resistência

se bem me quer então me peça
pois o que me interessa
é te deixar interessado

se não quiser não tenha pressa
pois vida que não se expressa
faz sentir-me atravessado

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pura Poesia

Escorrendo pelo ralo 
Escondida no armário
A cabeça do otário
É pura poesia

No pelo do cachorro
Na batida do morro
Na ausência do choro
A poesia dura

O veneno da cobra
O pintor e sua obra
Comida de sobra
É pura poesia

Na picada do escorpião
No calor da ereção
Na puta e no cafetão
A poesia dura

O  rosto do amarelo
O gosto pelo belo
A vida e seu mistério
É pura poesia

Na gosma do catarro
Na fumaça do cigarro
No olho do escárnio
A poesia dura

O vermelho do sangue
O yin e o yang
Universo se expande
Em pura poesia
Dura
Pura poesia dura
Pura
Poesia dura

terça-feira, 19 de abril de 2011

Trânsito

Hoje vejo pela janela
E sinto saudade
Do que vi e do que nunca vivi

Hoje olho pela janela
E sinto saudade
Do que vi e ainda está por vir

Passo meu tempo
Passa mais tempo
E não há passatempo no impasse

Tempo trancado
Porta trancada
E a falta de ideia que importasse

Hoje olho a janela
E sinto por ela
O tamanho do meu espaço

Hoje vejo a janela
E penso por ela
Como um desejo que eu faço

Sorriso e grito

Diga-me onde é teu exílio
E te encontrarei aonde estiver
Quatro quadros e uma roda torta
Com bordados na borda
Recheada de creme dental

Se meu sorriso é algo
Que deva ser tratado
Dou-lhe com fino trato
À razão inversa de minha busca
Que ofusca o que procuro
Seguro

Diga-me por onde andas
E eu te darei quem sou
Entre sabe-se lá quantas
Sílabas distantes

Sou contagioso
Como soluços sem nojo
E hoje acordarei do teu lado
Batizado e machucado
Pelo fruto do meu esforço

Diga-me quem sou
E estará provado que nada sabes
Sobre dentes e sabres
Sobre os tristes trigos que comeram o tigre
No trigal, o nada é mais natural

Parado, sei o que eras
Andando, encontro onde estou
Salivo por onde o amor choca
Sujo, saúdo aos pares com a boca
Onde os raros momentos são infinitos
Por isso, grito!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Musichat

dionde venha música
seraki sua a música
seraki soa música
seraki soul eu

dionde venho som
seraki diotro tom
seraki diotro dom
seraki é tudo Seoul

possu falar em código
possu passar incólume
possu perder meu lema

só keru entrar nu jogo
keru jogar nu fogo
e desnudar a queima

Canção eu


A minha palavra nasce da solidão
Na solidez dos contrários
De ser único de vários
Uníssonos na multidão

A minha palavra requer a paixão
De um amor utilitário
Da musa e do stradivarius
Áureo do aluvião

A minha música vive na emoção
De sons arbitrários
Em pacto precário
De doce elisão

A minha música morre na vazão
De um tempo autoritário
Em infinito glossário
De livre prisão

A minha música é a palavra sonora da canção

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desprezigualdade

Moço,
Me dá um troco
Já tô quase louco
o que peço é pouco
Pra viver bem

Vê se não me dá um toco
Já tô quase rouco 

De pedir trocado
Pra mais de cem

Moça,
Olhe bem no fundo
No ollho do meu mundo
Por trás do rosto imundo
Há outro ser humano

Moça,
A gente não escolhe
Nesse corre-corre
Enquanto a vida escorre
Eu entro pelo cano

Moço,
Me dá um troco
Já tô quase oco
O que eu peço é pouco
Pra viver melhor

Vê se não me dá um toco
Cansei de pipoco
Meu pedido é solto 
Porque já sei de cor